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Sem água em casa, jovem diz que teve sarna por culpa de empresa

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Sem água para realização de afazeres domésticos básicos, o jovem Renan Souza Camiran, 27 anos, culpa a concessionária Águas Cuiabá por ter contraído sarna após um período de desabastecimento em seu bairro.

 

Renan Souza diz que há uma semana vem tratando o caso de sarna por conta da falta de banho

 

À reportagem, Renan contou que desde o início do ano tem travado uma batalha contra a concessionária por conta da falta de água. Ao longo deste período, segundo o jovem, já foram registrados 29 protocolos de reclamações na ouvidoria da empresa.

 

Com residência na rua Capitão Iporã, no bairro Pico do Amor, Renan conta que desde que se mudou para a região, em outubro de 2021, enfrentava problemas de abastecimento. Contudo a situação se tornou mais frequente nos últimos meses.

 

Em janeiro, durante um dos momentos mais críticos da pandemia neste ano, o jovem conta que ficou sem água por cerca de uma semana e precisou banhar na casa de um familiar que estava infectado pela covid-19.

 

No mesmo período, após solicitar que o serviço fosse restabelecido, agentes da Águas teriam ido à casa do jovem e, durante o abastecimento da caixa d’água, quebraram a boia. Quando a água voltou, o forro de gesso sob a caixa foi umedecido e desabou.

 

O inconveniente foi registrado no protocolo virtual, mas a concessionária teria relatado que não iria custear o conserto. Posteriormente, em um novo período de desabastecimento, o jovem contraiu furúnculos pela falta de banho.

 

Com a rotina de desabastecimento, Renan precisou banhar em construções vizinhas, à vista de populares. À reportagem, o jovem relatou o constrangimento de ter que sair de casa para se limpar e estar suscetível aos olhares de outras pessoas.

 

Em março, sua casa foi infestada por escorpiões. O jovem relatou que não contrato o serviço de dedetização pois após o processo de higienização a casa precisaria ser lavada. E, com a falta de água, Renan não conseguiria fazer a limpeza do ambiente.

 

Na crise de desabastecimento mais recente, o jovem notou feridas em um de seus gatos. Ao constatar que também estava com machucados na pele, Renan então procurou novamente a concessionária, denunciando ter contraído sarna pela falta de banho.

 

Neste ínterim, o jovem relembra que chegou a procurar o Procon, mas foi informado que demandas da Águas só poderiam ser solucionadas junto à concessionária.

 

A Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá também foi questionada sobre o desabastecimento, mas, segundo o jovem, a demanda não foi solucionada.

 

“Eu tenho transtorno de ansiedade generalizada e depressão. De janeiro para cá, minhas idas ao psiquiatra só aumentaram. Os remédios, antidepressivos e ansiolíticos, de R$ 400 a R$ 500 por mês só com isso”, conta ao relembrar os danos indiretos da situação.

 

Conforme o jovem, o desabastecimento também tem prejudicado sua atuação no trabalho. Microempreendedor individual, Renan costumava trabalhar de casa, mas, em virtude da falta de água, tem que redefinir seu ambiente de serviço todos os dias.

 

“Eu trabalho com marketing digital e sou gestor de lançamentos. Se em casa eu não consigo fazer isso, eu tenho todos os dias descobrir como será minha rotina. Ou eu sento em uma praça de alimentação e faço de lá ou vou na casa de alguém para trabalhar. Está sendo sempre assim”, relatou.

 

A reportagem entrou em contato com a comunicação da Águas Cuiabá. Por meio de nota, a concessionária afirmou que tem realizado levantamentos para identificar o desabastecimento na unidade consumidora do jovem. Confira o posicionamento na íntegra a seguir:

 

“A Águas Cuiabá esclarece que está acompanhando esse cliente em específico com especial atenção. A concessionária vem realizando pesquisas de vazamento na tentativa de identificar o que ocorre na unidade consumidora e o abastecimento ao morador está sendo assegurado com caminhão-pipa”, apontou.

Fonte: Gazeta Digital