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Com ajuda das redes sociais, pescadora vence depressão e se torna influencer

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Superação e fé. Assim a pescadora Cristiane D’avila, mais conhecida como Cris Cuiabá, 42 anos, intitula a nova fase de sua vida, que após uma grande batalha contra depressão conseguiu se reerguer, conforme ela, com a ajuda de Deus e das redes sociais, onde compartilha sua vida com mais de 12 mil seguidores.

A vida da pescadora nunca foi fácil, desde os 8 anos aprendeu a pescar para ajudar os pais a garantir o sustento da família que morava às margens do rio Cuiabá, na Ilha do Sucuri. Com o sonho de formar família, ela se casou pela primeira vez aos 18 anos e engravidou do primeiro filho, mas foi abandonada ainda gestante.

O tempo passou e a pescadora conheceu o marido Cléo Reginaldo D’avila, com quem teve duas filhas, e é casada há 18 anos. Em busca de uma vida melhor, os dois foram embora com os filhos para Manauas (AM), onde o marido de Cris iria trabalhar como empreiteiro.

Só que a idealização do novo sonho foi marcada por tragédias. Quando a família chegou ao outro estado, em um intervalo de um mês, a pescadora perdeu os dois avós e em seguida o tio, dando início o quadro de tristeza, já que na nova cidade não conseguia fazer novas amizades e sofria bullyg por conta do sotaque cuiabano.

“Nesse tempo começou uma tristeza e inquietação, não pude vir para o velório dos meus familiares, eu não tinha com quem conversar, via meus filhos tristes porque não conseguiam fazer amizades na escola e eu sofria junto, já que meus filhos sempre foram criados todos embaixo das minhas asas”, explicou.

Vinda de uma família de mulheres super ativas que faziam de tudo, Cris se viu abalada por sentir tanta tristeza e limitação e tudo só foi piorando, quando em meio às dificuldades, os filhos de Cris vieram passar as férias na casa da tia em Cuiabá, e após ela busca-lós e retornar para Manaus, foi surpreendida com uma grande decepção vinda por parte do marido, que ela resolveu perdoar devido ao sonho e o desejo de manter a família.

Diante do novo cenário, o casal decidiu voltar para Cuiabá, porém a casa que tinha ganho do governo havia sido demolida para ser construída de uma nova forma. Sem dinheiro para levantar a casa, a família teve que se abrigar na edícula sem paredes em cima de cobertores além de passar a viver com doações de pessoas da igreja.

“Só tinha a área, ficamos na área, dormindo em cima do cobertor soca poço, depois vivíamos de doações, já que cheguei de Manaus doente e tudo que eu amava eu não conseguia fazer, fiquei agressiva com as crianças e o tanto que eu fiquei agressiva desanimei meu marido, que não conseguia arrumar emprego já que as portas não abriam”. explicou.

Durante as crises, a irmã de Cris conheceu uma doutora e a levou para consultar e após medicada ela foi se acalmando, mas ainda assim ficava no meio dos escombros da casa, o dia inteiro chorando, pensando em morrer.

“O desequilíbrio que tive, eu só ficava chorando, uma inquietação, uma dor que parecia que ia explodir, ficava chorando em meios aos escombros da casa, agressiva com meus filho e sem falar com meu marido”, explicou.

Sem falar com ninguém na casa, se afastando do próprio marido e filhos, ela se apegou com o celular, momento que começou gravar vídeos conversando com o objetivo de provar para si mesma que estava bem. Ao compartilhar no Instagram, acabou chamando atenção de outras pessoas que se identificaram com a situação e achavam engraçado a maneira que ela relatava os problemas de maneira humorada.

“Postava os vídeos porque não conversava com ninguém, eu não me considero engraçada, mas as pessoas achavam e foi tomando uma proporção e fui fazendo amizades e através disso ganhei um impulso e tudo por aqui mudou”, pontuou.

Com a dimensão do Instragram, Cris com a ajuda de uma seguidora fez algumas rifas e com os prêmios doados, arrecadou cerca de R$ 2.800. Ela decidiu comprar areia, tijolos e cimento, para reerguer sua casa. Com isso, o marido teve um impulso e ânimo para trabalhar e correr atrás da construção da casa. Atualmente, ela luta ao lado do marido para finalizar a construção da casa onde moram.

Com muita fé, hoje ela se diz realizada com os planos que Deus tem concretizado em sua vida. “Estou muito feliz, meu marido está trabalhando duro e aos poucos estamos fazendo nossa casinha com laje e porcelanato”.

Fonte: Gazeta Digital